Com Calma, Eu Venci - Texto 2: O Dia em Que a Coragem Chega Devagar
Existem dias em que a gente levanta já sentindo uma espécie de medo manso, aquele que não grita, mas aperta o peito.
Medo de
não dar conta.
Medo de se perder.
Medo de repetir velhas
histórias.
Medo de não ser suficiente.
E nesses dias, a gente costuma pensar que coragem é algo
grandioso —
um salto, um grito, um gesto heroico, um impacto.
Mas a verdade é que, na rotina de uma mulher adulta, a coragem quase nunca chega assim.
Quase sempre, ela vem devagar.
Vem num suspiro mais longo.
Vem quando você escolhe levantar
mesmo cansada.
Vem quando você faz o mínimo e chama isso de
vitória.
Vem quando você respira fundo e decide tentar de
novo.
Vem quando você deixa o passado onde ele está.
Vem
quando você diz “hoje eu vou no meu tempo”.
Coragem não é sobre não ter medo.
É sobre não deixar o
medo decidir a sua vida inteira.
E aos poucos — quase sem você perceber — ela começa a
crescer dentro de você.
Do tamanho de um gesto simples.
Do
tamanho de um passo pequeno.
Do tamanho de um movimento quase
invisível.
Até que um dia, você se dá conta:
a coragem estava aqui o tempo todo,
só estava
aprendendo o seu ritmo.
E tudo bem se hoje ela ainda parecer pequena.
Tudo bem se ela
vier arrastando os pés.
Tudo bem se ela não fizer barulho.
Não subestime o poder do que cresce devagar.
Hoje, talvez você só consiga fazer o básico.
E talvez seja
exatamente isso que a vida está pedindo de você.
Amanhã, um pouco mais.
Depois, outro pouco.
E assim,
passo a passo, você vai se reconstruindo —
não na pressa,
mas na constância.
Coragem não precisa de aplausos.
Ela precisa apenas de presença.
Com calma e verdade,
Maria Flor

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